solar de botafogo
A Construção de um Sonho
Sonhar é uma prerrogativa do ser humano. A capacidade de perseguir o seu sonho e transformá-lo em realidade, no entanto, é privilégio de poucos. O Solar de Botafogo é a materialização de um sonho acalentado por anos a fio por Leonardo Franco e que, até para os amigos mais íntimos, soava como uma utopia: o desejo de ter o seu próprio teatro. Em 4 de julho de 2001, seu independence day particular, o ator conseguiu arrematar o casarão da Rua General Polidoro, 180. Era o primeiro e definitivo passo para a construção de seu sonho. Erguido nas terras da antiga fazenda São Clemente e desabitado há anos, o imóvel data do início do século passado, e pertenceu ao general Ângelo Mendes de Moraes, prefeito do Rio de 1947 a 1951, e, mais tarde, por quatro décadas, à família da deputada Lígia Lessa Bastos.

De posse do espaço físico, Franco convidou o cenógrafo e arquiteto paulista J.C. Serroni, autor do livro Uma Memória do Espaço Cênico no Brasil, para desenvolver o anteprojeto do Solar de Botafogo, que, num primeiro momento, abrigaria apenas o teatro. O projeto executivo foi entregue a José Dias – doutor em Cenografia pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA), especializado em caixa-cênica e mergulhado há cinco anos em uma extensa pesquisa sobre arquitetura cênica no Brasil –, que trabalhou em colaboração com o arquiteto Maurício Campbell. Para viabilizar a vontade do ator de construir um teatro com palco italiano e todos os elementos que compõem uma caixa-cênica tradicional, a solução encontrada por Serroni foi lançar mão do terreno de fundos do imóvel para erguer um edifício teatral de 4 andares com 14,5m de altura – quatro metros mais alto que a construção original – , que compreende 240m2 do total da área construída. No decorrer do projeto executivo, foi-se constatando que a opção deixava áreas livres, com potencial para abrigar outros espaços. E, assim, foram ganhando forma e perfil artístico o café-concerto, o cyber-lounge e a galeria de arte vertical. Foi possível também aumentar a capacidade do teatro com a construção de uma platéia superior e de um pequeno camarote de cinco lugares, no terceiro nível do auditório, onde ficam instaladas as cabines de som e luz.
Entre a compra do imóvel e o licenciamento da obra pela Prefeitura do Rio, foram necessários três anos de espera. Tempo de sobra para converter a angústia da espera na generosa rede de colaboradores e apoiadores que tornaria viável a construção do Solar sem o auxílio de patrocinadores. Em 10 de maio de 2004, sob o comando do Engenheiro Rogério de Oliveira da empresa CCBM, tinha início a demolição do espaço interno do casarão, de onde foram retirados mais de 400 caminhões de entulho. Três meses depois, começava o trabalho de assentamento das fundações que sustentariam a nova estrutura projetada por Serroni e José Dias.
Após o término das duas primeiras fases da obra, Leonardo percebeu o enorme potencial do projeto que tinham nas mãos, mas ainda precisava pensar num diferencial que pudesse transformar o empreendimento em algo nunca visto no meio artístico. Neste momento surgiu a idéia de transformar o próprio espaço num evento, onde o público, seguindo a filosofia da ARTE TOTAL, tivesse a oportunidade de se envolver com o universo das artes cênicas, plásticas e cinematográficas, apreciando arquitetura, decoração, literatura, música, gastronomia e moda num mesmo lugar, durante o ano inteiro.
Desta forma, saindo dos padrões tradicionais e utilizando como tema principal o universo do ator no exercício de seu ofício, foi reunido um verdadeiro dream team de arquitetos para decorarem os principais ambientes do Solar de Botafogo. Caco Borges criou a ambientação do Teatro Solar; Chicô Gouvêa, a do café-concerto; Flávia Santoro e Danielle Parreira ficaram com o lounge; Alexandre Lobo e Fábio Cardoso, com a Galeria de Arte Vertical; Maurício Prochnik, com os camarins; Cláudia Brassaroto projetou os banheiros públicos e Alexandre Murucci, o elevador e a bilheteria, além da equipe da Landscape que com extrema delicadeza e simplicidade decorou a fachada com uma enorme palmeira.
Mesmo trabalhando dentro de uma visão integrada, os nove arquitetos souberam dar seus toques de mestre a cada recanto do SOLAR, fazendo dele uma espécie de “casa do ator”, ou seja, um espaço de exposiçãopermanente de arquitetura de interiores.
Com uma equipe permanente de 20 operários e a participação indireta de cerca de 300 profissionais, a construção do Centro Cultural Solar de Botafogo, consumiu trinta meses até o dia de sua inauguração, em 17 de outubro de 2006.
O primeiro projeto teatral, lançado em 31 de janeiro de 2007 e que inaugurou o Teatro Solar, foi o espetáculo “CAMPO DE PROVAS” de Aimar Labaki, dirigido por Gilberto Gawronski e com Claudia Lira, Leonardo Franco, Guilhermina Guinle e Marcos Winter no elenco. O projeto foi patrocinado pela ELETROBRÁS e pela HALLIBURTON e indicado ao Prêmio SHELL na categoria melhor autor.
Fechando o primeiro ano com chave de ouro, Leonardo Franco foi contemplado com o Prêmio SHELL 2007, na Categoria Especial, pela construção do Solar de Botafogo.
Dentre os principais eventos realizados nestes 03 anos de funcionamento, podemos destacar:
* “O Lado B de Domingos Oliveira” – Cineclube / Curadoria Paulo Severo;
* “Toda Deborah” – Cineclube / Curadoria Paulo Severo;
* “O Olhar do Ator” – Exposição de quadros de Analú Prestes, Taumaturgo Ferreira e Guilherme Leme / Curadoria Scarlet Moon de Chevalier;
* “Female” – Exposição de Vera Fischer / Curadoria Ricardo Kimaid;
* “Quem Vai Comprar Nosso Barulho” – Show Musical com as CHICAS;
* Lançamento do DVD de Antônio Villeroy / WARNER MUSIC;
* “Diálogos com Molly Bloom” – Espetáculo Teatral com Malu Galli;
* “Após a Chuva” – Espetáculo Teatral de Sílvio Guindane;
* “Jozú – O Encantador de Ratos” de Hilda Hilst – Inauguração Espaço II;
* “Dois Maior de Grande” – Show Musical com Clara Becker.
* “O Olhar da Alma” – Exposição de Gisela Milman.
* “As Nove Partes do Desejo” de Heather Raffo, com Clarice Abujamra.
* “Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete” de Jô Bilac, Direção Vinícius Arneiro.
* “Canções Para Cortar os Pulsos – A Música de Tom Waits” com Cida Moreira e André Frateschi.
* “Primeira Chuva no Deserto” de Ana Paula Pedro, com Guta Stresser e Direção de Camilla Amado;
* “Gosto que me Enrosco”, com Claudia Lira e João Carlos Assis Brasil, Direção Leonardo Franco.
